
_3/28/2006
eu e um policial da pesada.
- com licença, eu acabei de ser assaltado.
- ...
- érr, dava pra gente fazer alguma coisa?
- rapaz, até dá. a gente pode dar uma volta, mas tu vais reconhecer o cara?
- vou, vou!
- tá, me empresta teu celular aí...
- COMO ASSIM? foi isso que o cara me roubou.
- ihhhh...
- ...
- então nem dá pra fazer nada.
(aqui entra uma explicação absurda sobre porque ele precisava do MEU celular pra poder ligar pra central ou algo parecido e logo em seguida um momento de silêncio porque eu num tava acreditando na conversa que eu tava tendo)
- sim, onde foi que te roubaram?
- aqui no quarteirão de cima.
- tu sabes que tu já perdeste de vez teu celular, né?
- érr... (obrigado?)
- como foi?
- ah, o cara tava bem arrumado então eu num desconfiei dele, ele chegou pelas minhas costas e me segurou pela alça da minha pasta.
- ele tava armado?
- eu num sei, como eu disse ele me segurou meio que me rendendo, então eu num quis arriscar fazer nada. (jurando que o policial ia concordar comigo)
- pô, tu num é macho?!
- ... (PORRA, tu num é policial?!)
- tu podias fazer um forcinha e te soltar, cara.
- ah, tá (já totalmente desacreditado do lema "sou brasileiro e não desisto nunca" e pensando em quem votar nas eleições que vem)
- poisé rapaz, tá tendo muitos desses pequenos furtos por aqui.
- ah, eu compreendo. (sinal de que tás fazendo um belo trabalho)
eu tô virando as costas pra ir embora e ele solta a ultima pérola:
- num é nem má vontade, é que policia é política, sabe?
EU SEI.
_3/13/2006
roubaram meu celular na sexta-feira, um cara bem vestido (calça, tênis, camisa de botão) nunca que ele tinha cara de ladrão. vai ver essa era a fantasia de cidadão brasileiro normal dele e eu caí no truque. tsc tsc...
não vamos dar ênfase a isso.
o que me tirou do sério na verdade foi minha reação durante/pós assalto. o cara chegou e me segurou pela alça da bolsa carteiro que eu uso; quando ele chegou eu tentei correr que nem um espertinho, mas ele tinha enrrolado na mão dele na pasta. depois daí eu desisti de qualquer coisa, só entreguei o celular na mão dele pensando no que eu ia fazer quando ele me soltasse.
eis o que eu fiz: nada.
nem gritei, nem corri, nem nada. o fora-da-lei (¬¬) mandou eu ir embora pelo outro lado e não olhar pra trás, eu resolvi ficar parado olhando ele ir embora pensando no que eu possivelmente podia fazer naquele momento ou podia ter feito na hora do assalto, minhas opções.
1 - ter fingido que era surdo e ter me comunicado por sinais
2 - eu podia ter falado que nem boneco de "the sims"
3 - podia ter pedido pra ele puxar um dedo meu, aí eu soltava um pum e saia correndo.
4 - podia ter saido voando, se eu soubesse voar é claro.
5 - podia ter matado ele com o estilete que eu carrego e aí eu fugia pra mosqueiro.
6 - podia ter recitado uns poemas do fernando pessoa, ele com certeza ia se sentir tocado.
entre outras coisas, mas eu essas opções funcionariam sem sombra de dúvida.
vou trabalhar essas e outras desculpas pra ladrão e lançar um livro.
_it's 12:45,
_3/12/2006
que vergonha, ainda bem que as pessoas mudam.
eu tinha uma mania péssima de achar que a coisa mais bonita do mundo eram três pontos de interrogação seguidos "???"
eu realmente achava lindo e sofisticado.
_it's 02:31,
_3/5/2006
é realmente importante ser importante pra alguém no mundo.
_it's 06:03,
_3/4/2006
sorte do orkut.
behind an able man, there are always other able men
ok, é o sinal. devo assistir brokeback mountain
_it's 14:08,
_
que saudade desgraçada da fila do show do weezer, foi o lugar mais longe e nada a ver como a minha casa que eu me senti melhor no mundo.
tudo era tão bonito, tão frio e tão cheio de ansiedade. lembro do cara dançando de cueca na janela, lembro de todo mundo preocupado pra saber se o show era ali, das pessoas super legais, lembro de ter sido o sétimo da fila...
ah, vou parar de lembrar antes que, que, que...
_it's 00:05,
words are flowing out like endless rain into a paper cup, they slither while they pass they slip away...